Saturday, December 6

O colecionador eventual e o profissional

Existem basicamente dois tipos de colecionadores de arte, os eventuais e os profissionais. Os eventuais compram arte de vez em quando para decorar os espaços da casa, ja os colecionadores profissionais compram regularmente e as vezes mal têm lugar para guardar tamanho acervo. Estes colecionadores constantes compram como investimento ou por esporte, ja o eventual pode também comprar para investir, mas em geral não são tão criteriosos, compram estritamente pelo gosto.

O colecionador profissional sempre desperta grande interesse das galerias, artistas e curadores, suas coleções podem trazer grande notoriedade, para eles mesmos e seus artistas. Este perfil de comprador verifica o currículo dos artistas, interessa a ele ver uma carreira em desenvolvimento. Suas coleções podem ser especializadas em certos nomes e estilos, ou podem ser bem diversificadas. As coleções especializadas são uma interessante estratégia, porque atrai o interesse de museus e pesquisadores. Assim adquirir várias obras dos mesmos artistas, ou dar um perfil, valoriza a coleção, e valoriza os artistas. Existem grandes coleções muito diversificadas que não têm a mesma relevância de pequenas coleções especializadas. Por exemplo a coleção Adolpho Leirner especializada em arte construtiva, que adquiriu de artistas brasileiros na década de 1960 a preços muito acessíveis. Toda a coleção com dezenas de obras foi depois comprada em 2007 por um museu de Houston, EUA (http://www.mfah.org/art/collections/the-aldolpho-leirner-collection/). Outro exemplo de coleção especializada é a de Bernardo Paz, fundador do Instituto Inhotim. No caso dele são muitas instalações e não foram compradas a preços módicos, pelo contrário, são obras de grandes artistas da atualidade.

Uma coleção pode ser mais agressiva, com nomes emergentes, ou mais conservadora acumulando obras de grandes nomes. As coleções agressivas tendem a valorizar mais com o tempo, porque a evolução de preços de jovens artistas tende a ser mais rápida, enquanto artistas consagrados podem ter seus preços com evolução mais lenta.

Apesar da importância do cliente profissional, todo colecionador começa como eventual, e a formação de novos públicos passa pela formação de novos clientes eventuais, é neles que reside o grande potencial de crescimento deste mercado.

Ricardo Ramalho
Galeria Virgilio


Tuesday, December 2

Estamos na feira Pinta Miami 2014

Montagem da Feira Pinta Miami com obras de Martinho
Patrício e Armando Queiroz

 A Feira Pinta Miami é um evento paralelo a Feira Miami Basel e marca a retomada da Virgilio nas feiras no estrangeiro. A Pinta tem apenas 60 galerias, permitindo um contato mais estreito do público com as galerias, enquanto a Miami Basel tem por volta de 250 galerias, sendo assim mais saturada.

Thursday, November 27

A lista de preços da exposição BR 2014

Exposição BR 2014
Segue abaixo a lista de preços das obras dos artistas da exposição BR 2014, em cartaz na Galeria Virgílio até o dia 31 de Janeiro 2015. Apresentamos apenas uma obra por artista, visto que alguns artistas estão com mais de uma obra. Eventualmente estes artistas tem obras mais caras e mais acessíveis.

Por que publicar preços online? Acreditamos em facilitar o acesso as informações, desmistificar o mercado de arte, e empregar recursos diversificados de divulgação.

Na entrada da exposição temos a lista
de preços,venha fazer uma visita.
Veja abaixo uma amostragem.
É apenas uma lista de preços, com referências de imagem, não pretende ser um catálogo nem substituir a apreciação ao vivo das obras. Os preços são válidos nesta data 27 de Novembro de 2014, podendo ser atualizados a qualquer momento em outras listas ou por outros meios.

Para mais informações contate
galeriavirgilio2 @ gmail.com (Ricardo Ramalho)

Renata Pedrosa, a escultura de sombras, peça maior R$ 3500

Barbara Rodrigues, desenhos de beija-flores realistas,
algo altamente colecionável, R$ 2500













Veja abaixo o restante da lista (para abrir clique no "read more")

Exposição coletiva BR 2014

Coletiva de final de ano na Galeria Virgilio, BR 2014, com desenhos e fotografias de artistas do nosso acervo. 

Abertura sábado dia 22 de novembro às 11 horas até 31 de Janeiro 2015. O mercado de obras em papel tem crescido muito no Brasil, o material possui um charme a parte, é fácil de conservar, armazenar e assim representa uma excelente opção de investimento. Segue a lista de artistas da exposição.
- Desenhos
Adalgisa Campos, Barbara Rodrigues, Claudio Matsuno, Daniel Caballero, Danilo Oliveira, Deco Farkas, Diogo de Moraes, Fernando Burjato,
Jimson Vilela, Júnior Suci, Marcia Cymbalista, Martinho Patrício, Mônica Rubinho, Renata Pedrosa, Reynaldo Candia, Ricardo Bezerra e Rosana Paulino.
- Fotografias: Cafi, Celina Yamauchi, Denise Milan, Fabio Okamoto, Fernando Vilela, Martinho Patrício, Inaê Coutinho, Paulo Jares, Rafael Pagatini e Solon Ribeiro.

Serviço:
Galeria Virgilio, Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto 426 - São Paulo SP - Brasil - CEP 05415-020 - Telefone: 55+11 2373.2999
De segunda a sexta das 11 as 19 horas. sábado das 11 as 17 horas
Exposição coletiva BR 2014 de 22-11-14 a 31-01-15
www.galeriavirgilio.com.br
www.facebook.com/galeriavirgilio



Por que um blog?

Caras amigas e amigos da Galeria Virgilio,

Temos um belo site www.galeriavirgilio.com.br e criamos este blog pela mesma razão que milhões de pessoas criam blogs, para compartilhar informações de forma dinâmica, gerar conteúdos online para a arte contemporânea, e preservar estes conteúdos numa plataforma flexível, simples, e que permite a busca e resgate destas informações.

O afinal que é um blog? A palavra blog é uma corruptela de "web log", ou "registro na rede". De acordo com o dicionário Webster, um "log" é um "record of performance, events, or day-to-day activities". Existem blogs muito importantes, e alguns podem ser mais importantes do que sites.




Aqui estamos em permanente construção e desenvolvimento, teremos textos sobre arte, mercado, informações sobre nossos artistas e atualizações sobre a Galeria Virgílio. Caso encontre alguma anomalia contacte por favor galeriavirgilio2 @ gmail.com (a/c Ricardo Ramalho).

Os blogs são usados por várias empresas e jornais como um canal adicional de comunicação e tem algumas vantagens sobre sites convencionais: os blogs trazem aquele "algo mais", funcionam como revistas, podem ser experimentais, são mais dinâmicos, podem abarcar temas correlatos ao negócio, e as atualizações e novidades são armazenadas numa ordem cronológica. Ja o site funciona como um cartão de visita, uma bandeira online. Quando um site é atualizado, certos conteúdos anteriores ficam perdidos. O blog tem outra dinâmica, os conteúdos são sobrepostos numa linha sucessiva e você pode voltar na linha do tempo. O Facebook é uma espécie de micro blog, porém é limitado nos mecanismos de busca, não permite customizações, e conteúdos antigos ficam inacessíveis. 

Um abraço, esperamos que vocês apreciem!

Tuesday, November 4

Diogo de Moraes

Texto da exposição:

Diogo de Moraes: transeunte tautológico
O desenho como direito de resposta

Diogo de Moraes está entre os artistas que entendem a obra como processo. Está também entre os que têm na rua e na malha do real, seu espaço de trabalho. Seu método consiste na invenção de uma operação de mapeamento de percursos urbanos. Tal procedimento, considerado por ele uma empresa, ou um empreendimento poético, permite-o fazer da prática do caminhar cotidiano, um ato performático. Devidamente trajado com seu Uniforme de trabalho – que consiste em uma camisa com um logotipo bordado e um bolso adaptado para portar seus instrumentos de trabalho –, o artista encarna o funcionário de sua própria empresa, denominada Giro. Sua função: “procurador de sentido”. Seus instrumentos: um bloco de desenho, uma caneta, um bilhete único e um passe de metrô.

O procurador de sentido de Diogo de Moraes se dedica ao trânsito, a pé, ou via transporte público. Em seus trajetos faz anotações e desenhos, sem esquecer do motivo pelo qual as imagens são produzidas: servirem de instrumentos para orientá-lo no mundo . Implícita à essa deriva está, portanto, uma tarefa flusseriana de reação ao poder do instrumento. Seu desenho funciona como um “direito de resposta” a uma realidade urbana programada e controlada por aparelhos. Ao testar sua capacidade de decifrar a informação visual que se lhe apresenta durante o caminhar, o artista reconhece que imagens são mapas do mundo. O desenho, portanto, não é lugar de registro do que vê, mas é onde seu discurso se dá.

Os Desenhos de percurso não são anotações descritivas, riscadas no calor da hora, esboçadas nos momentos de passagem. São esquemas visuais sintéticos, elaborados segundo um código específico que integra texto e imagem. Há um padrão que se repete: no alto da página, o local da cidade de São Paulo onde se dá a ação; no centro, o desenho da ação; na base, um comentário, uma expressão de efeito, uma frase feita. A padronização facilita a leitura dos desenhos como relatórios sobre eventos, estados e situações da vida na metrópole.

O funcionário Diogo de Moraes tecniciza seu desenho, atribuindo-lhe a qualidade esquemática do emblema, do ícone, da logomarca. Munido apenas de papel e lápis (ou caneta, enfim) – instrumentos de papelaria, pré-industriais, pré-digitais, pré-quase-tudo –, o operário-padrão Diogo de Moraes transforma a imagem em imagem técnica. Sua empresa (obra) é um aparelho de informação. Um dispositivo de decodificação de imagens e de produção de sentidos, cujo ícone, uma guia de calçada desenhada em círculo, é uma cobra que morde o próprio rabo. O artista é criador e criatura de um esquema que evoca e confirma a circularidade da perambulação cotidiana, do pensamento, da interlocução com o mundo.

Paula Alzugaray

FLUSSER, Vilém. Filosofia da Caixa Preta - Ensaios para uma futura filosofia da fotografia.
São Paulo: Editora Hucitec, 1985.
“O desenho como direito de resposta”, nas palavras de Diogo de Moraes.